Disciplinas

OBRIGATÓRIA

 

4/48h

A Metodologia Científica deve ser entendida como segmento primordial de aprendizado no contexto da formação acadêmica, particularmente no ensino da pós-graduação. Seus fundamentos de conteúdo alicerçam a base de apoio para a consecução dos diferentes níveis de desenvolvimento de projetos de pesquisa científica, independentemente da natureza da área de investigação. De acordo com Cervo e Bervian (1983), exercer atividade de pesquisa implica em se mover dentro de quatro níveis de conhecimento: o empírico, o científico, o filosófico e o teológico. Diferentemente do empírico que por sua natureza vulgar é ametódico e assistemático, o conhecimento científico é delineado por um permanente processo de construção, exigindo revisão sistemática de conceitos, revitalização crítica de ideias e descarte decisivo da concepção que alimenta verdades imutáveis. Por ser assim, a conquista do conhecimento científico permeia etapas que necessitam de instrumentos de planejamento sistemático e de apoio organizacional, desde a gênese da reflexão original que fundamentou o projeto de estudo investigativo, até a revelação dos resultados emanados de sua execução. É fundamental, portanto, que estratégias metodológicas ordenadas, amparadas no mérito e na ética, marquem presença, sustentando o desenvolvimento deste processo. No contexto da pesquisa científica, a obediência às diferentes variantes de sistematização que orientam os passos que levam a esta conquista, garante, via de regra, a expressão de qualidade do trabalho desenvolvido e, naturalmente, o nível de relevância de sua finalidade social. É imperativo entender também que o domínio da Metodologia Científica permite que a produção do conhecimento, a despeito da área, possa estar mais bem vinculada ao compromisso de democratizar o alcance de sua transmissão. Para tal, seus ensinamentos fortalecem a utilização de parâmetros de objetividade e clareza na abordagem informativa, equilibrada evidentemente com o vocabulário técnico pertinente. Com efeito, a aplicação dos princípios preconizados pela Metodologia Científica permite que a geração de uma atitude reflexiva possa ser convertida em produto intelectual de qualidade, valorizando sua inserção acadêmica bem com sua relevância social. Além de sua veia pedagógica, dirigida ao aprimoramento qualitativo do trabalho de pesquisa, a Metodologia Científica valoriza a reflexão crítica sobre a inclusão da ética no processo de produção acadêmica.

4/48h

Esta disciplina pretende atender os fundamentos do ensino humanizado através de práticas pedagógicas modernas que não se atenham apenas ao conteúdo a ser ensinado, mas sim a um processo educativo crítico, humanista e social do aluno que vise a sua inserção usando o conhecimento adquirido em benefício da sociedade. Isto é possível, à medida que o homem como agente social, material e intelectual é capaz de analisar, compreender e contribuir para transformar a realidade a partir de contradições gerada pelo trabalho que realiza. Isto inclui a participação do aluno em atividades supervisionadas para: preparação de material didático, preparação e apresentação de aulas teórico-práticas, preparação e supervisão de exercícios clínicos em seminários, o que permitirá um aprendizado participativo e uma prática docente eficaz. A participação do aluno em congressos, simpósios e reuniões deverá fazer parte da prática docente. Apresentação das técnicas didáticas para o ensino a distância.

4/48h

Área das ciências biomédicas, de forma a aperfeiçoar o conhecimento da legislação dos diferentes códigos de ética, leis e recomendações nacionais e internacionais que estejam relacionadas às pesquisas em seres humanos ou animais. Além da discussão da legislação, discutir também em forma de seminários teórico-práticos temas avançados da área de saúde que incluem, entre outros: engenharia genética, manipulação de células-tronco, transplante de órgãos e tratamento de pacientes terminais. Pretende-se a transmissão ampla das teorias éticas mais representativas do comportamento humano, de modos que seja viável a integração destes conceitos com o comportamento humanista característico das sociedades ocidentais.

ELETIVA

 

4/48h

O entendimento dos resultados de pesquisas cada vez mais dependem de uma compreensão clara dos conceitos fundamentais de delineamentos e análises estatísticas. Os conteúdos estatísticos a serem apresentados expõem técnicas de descrição e apresentação de dados, e principalmente técnicas inferenciais. Para os alunos compreenderem as técnicas utilizadas na análise de resultados divulgados e a utilizarem criteriosamente essas técnicas em seus estudos, faz-se necessário um aprofundamento das técnicas inferenciais, não só com relação a aspectos conceituais, mas também na utilização de recursos tecnológicos de análise de dados. As aplicações e uso de programas para cálculos básicos como média, mediana, desvio padrão, erro padrão da média e outros serão abordados em situações diversas. Os critérios de uso de métodos estatísticos básicos serão apresentados e confrontados entre si: testes paramétricos e não paramétricos, teste t de Student, Análise Multivariada, Teste de correlação, entre outros.

3/36h

As plantas são fontes naturais de compostos bioativos, e a tendência de busca de novos fármacos está em se extrair da fauna e da flora compostos que possam ser utilizados para novas terapêuticas medicamentosas. A estratégia de obtenção e avaliação dos extratos de plantas é importante para o sucesso dos resultados. Esta disciplina visa estudar as formas de obtenção e análise de compostos naturais para avaliação farmacológica através de análises in vitro e in vivo.

3/36h

A terapia celular, para certas doenças como a forma grave de osteogenesis imperfecta, é a opção mais eficaz de tratamento. Entretanto, esta tecnologia não teve ainda o domínio desejado no Brasil e nem em grande parte dos países desenvolvidos. Para um hospital de referência em transplantes, como o Hospital Pequeno Príncipe, é necessário ampliar este conhecimento por meio de novos projetos e treinamento de novos profissionais. O transplante de órgãos é também a forma terapêutica mais eficaz para pacientes com disfunção orgânica terminal, o que representa um grande avanço em relação ao início da era moderna dos transplantes de órgãos nas décadas de 70 e 80. Esta disciplina corresponde a uma das linhas de pesquisas com o mesmo nome, e visa desenvolver e avaliar técnicas de transplante de células e órgãos em crianças, ratos e camundongos, criando modelos de laboratório para investigação de protocolos de tratamento com novas drogas imunossupressoras, agentes biológicos, terapia gênica e indução de tolerância imunológica. Os transplantes em pacientes apresentam ainda desafios durante e após o procedimento cirúrgico que necessitam de aprofundamento e amplas discussões, sobretudo com alunos que escolheram projetos de tese nesta área. A fácil reprodutibilidade dos modelos animais permitirão ao aluno domínio fácil de técnicas, e ao mesmo tempo melhor avaliação de resposta ao tratamento (preservação de células, vascularização, reação ou tolerância imunológica, sobrevida, entre outros). Continua sendo desafio alguns procedimentos cirúrgicos e o controle de reação do sistema imunológico, os quais são objetivos de alguns projetos desta linha de pesquisa. O uso de drogas imunossupressoras aumenta a incidência de tumores e infecções oportunistas, e ainda não impede completamente o processo de rejeição, o que continua sendo a principal causa de perda tardia do enxerto. A procura por métodos mais modernos, imunossupressão específica que tornasse o receptor tolerante aos antígenos do doador, sem necessidade de imunossupressão contínua, é um tema de pesquisa que certamente traria um grande impacto para clínica. Para entender e contornar os processos da rejeição, investigações sobre a importância dos camundongos isogênicos, sobretudo com imunodepressão (camundogos scid), permitem controlar e prever eventos imunológicos em alotransplante experimental. Por outro lado, novas evidências indicam a possibilidade de seleção de célula-tronco capaz de não desenvolver reação imunológica de linfócitos T citotóxicos. Aspectos relacionados à terapia gênica e à regeneração hepática serão apresentados no quarto módulo desta disciplina. PG008 – Fundamentos da Neurociência Básica e Clínica PG009 – Genética Molecular.

4/48h

Neurofarmacologia é basicamente o estudo da interação das medicações e drogas no sistema nervoso. Estudos Neurofarmacológicos procuram entender como os mecanismos moleculares influenciam e alteram as funções cerebrais. As medicações neurofarmacológicas são ferramentas muito úteis para sondar as bases celulares e moleculares do sistema nervoso. Por exemplo, o lítio, que é usado no Transtorno Bipolar, produz seu efeito clínico somente uma ou duas semanas após ser administrado diariamente, portanto, este fato implica que as ações moleculares de lítio de relevância terapêutica devem obrigatoriamente envolver alterações na expressão de genes que só podem ser observadas após horas e/ou dias seguidos da administração de lítio. Para entender as ações moleculares dos medicamentos no sistema nervoso é preciso entender toda a sequência de eventos começando pela ligadura da droga no receptor celular. O que geralmente acontece depois é uma série de eventos complexos bioquímicos, que levam à alteração da expressão genética e, consequentemente, às alterações (melhora) dos sintomas (fenótipo) relacionados ao humor, emoção, cognição, e aos transtornos neurobiológicos e comportamentais. Nesta disciplina, serão abordados primeiramente os princípios gerais e básicos da neurofarmacologia, seguido de uma descrição breve da base celular, bioquímica e fisiológica da neurofarmacologia, além de ressaltar os fundamentos da neurociência clínica em relação aos Transtornos Neurobiológicos e Comportamentais na Infância e Adolescência.

3/36h

As neoplasias hematológicas são associadas com frequência a alterações genéticas características, cuja identificação permite uma abordagem terapêutica mais incisiva e apropriada. A análise do genoma do tumor oferece a possibilidade de identificar mais detalhadamente a doença (diagnóstico diferencial). A individuação molecular de fatores prognósticos permite direcionar mais oportunamente as escolhas terapêuticas (inclusive com medicamentos de ultima geração), sendo útil na avaliação da necessidade ou urgência do Transplante de Medula Óssea. A sensibilidade dos métodos moleculares no monitoramento da doença residual mínima permite a detecção precoce de recidivas. Por estes motivos, vários métodos de biologia molecular hoje fazem parte das ferramentas à disposição do médico na análise e monitoramento das neoplasias hematológicas.

4/48h

Os alunos graduados em ciências biológicas ou da saúde, admitidos para o curso de mestrado ou doutorado, assumirão projetos que direta ou indiretamente exigirão conhecimentos da biologia molecular e celular. O que frequentemente é percebido, principalmente nos médicos, é a dificuldade no uso da linguagem técnica, o entendimento da metodologia e principalmente na idealização e desenvolvimento de um projeto de pesquisa básica. Noções de genética molecular e da biologia celular serão transmitidas revisando sempre uma patologia das linhas de pesquisa deste Programa. Aspectos relacionados com a etiologia, a fisiopatologia e com o diagnóstico de doenças serão explorados para divulgar outras pesquisas e tornar as aulas mais abrangentes. O enfoque técnico-científico se baseará no assunto da linha de pesquisa de cada docente, como descrito nos objetivos específicos. Será dado maior abrangência ao conteúdo da disciplina para que os alunos encontrem maior motivação num assunto mais experimental ou mais clínico, dependendo do background de cada aluno. Ao nível celular, o enfoque principal é no desenvolvimento de linhagens celulares (sobretudo com célula tronco), estudo de células com mudanças de funções, transformação de células visando terapia gênica e celular ao nível experimental. Com os projetos em andamento no campo da biologia celular, o ensino teórico torna-se mais fácil porque os projetos fornecem a prática, aprendendo mais sobre como preparar e manter as células em meio de cultura primária de células-tronco, fibroblastos e células de tumores, com definição de meios enriquecidos ou não com fatores de crescimento. As revelações proporcionadas pelo projeto genoma incentivaram maior atenção na caracterização de proteínas desconhecidas, ou de função e controle de expressão ainda não esclarecidos, dando origem ao ramo da pesquisa chamado de proteoma. Esta relação projeto genoma/proteoma tem revelado marcadores proteicos para identificar determinadas patologias, de onde surgem produtos comerciais para uso na rotina hospitalar ou de pesquisa. O aluno deverá ser motivado a entender que, além da produção científica, existe um vasto campo na área de geração de produtos e procedimentos a serem explorados no mercado de trabalho, inclusive como fonte de autossustentação de centros de pesquisa sem fins lucrativos como o nosso. Numa análise teórica sobre mutagênese e carcinogênese, o aluno deverá entender como identificar mutações e como distinguir mutações dos polimorfismos. Esta apresentação dará oportunidades para explorar tecnologias de uso já bastante amplo, como o microarranjo, PCR simples, PCR em tempo real, sequenciamento de DNA, Western blotting, entre outros. A partir da segunda metade da disciplina, o aluno se sentirá mais motivado para acompanhar e analisar resultados obtidos de pesquisas em andamento. O acompanhamento de resultados e discussões com coordenadores de projetos em andamento terá a finalidade de tornar mais dinâmico o aprendizado, mostrar o diagnóstico molecular de algumas patologias, com maior ênfase em oncologia pediátrica, doenças do tecido muscular e ósseo e doenças metabólicas. O que se pretende é investigar patologias e mostrar as tecnologias empregadas como modelos para o aluno poder utilizar o mesmo raciocínio em outras situações.

3/36h

A epidemiologia molecular é um ramo da epidemiologia que associa informações e ferramentas da genética molecular, da clínica e da pesquisa epidemiológica tradicional para definir problemas de saúde e soluções para determinada região. O risco de acontecer determinada doença numa região exige conhecimentos sobre a atuação de genes ligados à etiologia, devendo permitir melhor definição do diagnóstico, das estratégias e políticas de prevenção de doenças, respeitando todos os aspectos éticos, legais e sociais. Ao contrário da epidemiologia básica, a epidemiologia molecular explora a fisiopatogenia, investigando os mecanismos moleculares e vias de ação do gene humano ou microbiano diretamente ligado à doença. No início da década de 90 se intensificaram as iniciativas para implementação de novos centros de Epidemiologia Molecular na América Latina, surgindo primeiro na Argentina (www.pitt.edu/~kkr/arg.htm) e México (http://www.pitt.edu/~kkr/mex.htm) nos dois anos seguintes. Mesmo não tendo havido a mesma rapidez para formar grupos exclusivamente de uma área intitulada Epidemiologia Molecular, abrangendo linha de pesquisa e ensino, percebe-se que os grupos de pesquisas no Brasil passaram a atuar em parcerias multidisciplinares (genética molecular, epidemiologia tradicional e clínica), para chegarem às mesmas conclusões de pesquisadores considerados especificamente epidemiologistas moleculares. Assim, esta disciplina é ofertada por docentes de diversas áreas, porém com vinculo comum na genética molecular ou epidemiologia. A experiência no ensino e na pesquisa de especialistas estrangeiros (pioneiros na área de epidemiologia molecular), bem como de docentes de outras instituições irão contribuir com uma parte importante desta disciplina que acontecerá de forma presencial e por videoconferência. A diversidade genética da população e das condições ambientais no Paraná, aliadas aos aspectos climáticos muito diferentes de outras regiões do Brasil, podem favorecer ou dificultar o surgimento de determinadas doenças neste estado. Como resultado da interação ambiente paranaense/gene, iremos abordar algumas medidas preventivas para algumas patologias, entre as que merecem maior atenção neste estado. PG012 Bioinformática

3/36h

Como linha de pesquisa e como disciplina de informática médica e informática aplicada à pesquisa básica e clinica do Curso de Pós-Graduação em Biotecnologia Aplicada à Saúde da Criança e do Adolescente da Faculdades Pequeno Príncipe, o alvo é a autossuficiência em sistemas informatizados em todas as especialidades pediátricas. O conteúdo de ambas as partes se concentra nos projetos em andamento, nas atividades da telemedicina, nas programações do ensino complementar a distância, na manutenção da biblioteca digital, protocolos clínicos e também no treinamento de programas do Office, EPINFO e Estatística. A informática como instrumento de pesquisa deverá de alguma forma beneficiar o diagnóstico, o registro, o acompanhamento e o tratamento das doenças da criança, ou deverá beneficiar o ensino de profissionais que atuam em Saúde da Criança e do Adolescente. No ensino atual, foi priorizado o sistema de ensino a distancia que complementa (sem substituir) o ensino presencial, que compreende um sistema de ensino a distancia em tempo real, uma biblioteca digital com conteúdo gerado a partir das conferências gravadas (inclusive dos congressos organizados pelo Hospital Pequeno Príncipe). Esta base de ensino foi idealizada e gerada a partir de projeto de tese de um aluno do Doutorado, a qual deverá se manter constantemente em transformações numa linguagem facilmente programável por leigos da informática. As apresentações e aulas dos docentes são transmitidas em tempo real de qualquer lugar onde professor e aluno tiver acesso a um computador, podendo transmitir áudio e imagens sob controle do apresentador. Trata-se de uma forma complementar no ensino para todas as disciplinas, o que permite acomodações de novos horários e lugares ideais para alunos e professores. O feedback entre alunos e professor acontece apenas por meio do áudio (microfone conectado ao computador), um recurso de comunicação múltipla elaborado por equipe da FPP (como na versão do Skype ou Horizon). Por outro lado, outro recurso disponível para todas as demais disciplinas é a videoconferência em ambiente hospitalar (telemedicina), que oferece melhores recursos no feedback bilateral, com melhor resolução de imagens, possibilidade de participação de todo auditório e de apresentação de casos clínicos.

3/36h

Esta disciplina visa abordar as técnicas de Biologia Molecular que representam um recurso extremamente importante no diagnóstico laboratorial de uma série de patologias, sobretudo infecciosas e genéticas. Outro tema desta disciplina é o estudo da variabilidade genética das linhagens de vírus ou bactérias circulantes em determinada população, pois possibilita o conhecimento da dinâmica de transmissão das doenças infecciosas, o prognóstico e a probabilidade de resposta à terapêutica disponível.

2/24h

Eventos transicionais do ciclo vital. Processos transicionais envolvendo os de desenvolvimento, situacionais e de saúde-doença. O cuidado a partir da perspectiva de quem vivencia a experiência nos diferentes contextos de ocorrência. Cuidado transicional.

2/24h

Apresentação de seminários individuais sobre o andamento das pesquisas dos acadêmicos, levando em consideração os métodos didático-pedagógicos, visando a preparação da dissertação ou tese final.

Até 4

Apresentações referentes às disciplinas e conteúdos abordados no programa de mestrado e doutorado.

Até 4

A disciplina Estágio de Docência tem por objetivo o exercício da docência ao nível do ensino superior, como processo complementar à formação pedagógica do aluno de pós-graduação. A disciplina será desenvolvida através da participação do aluno em atividades de ensino dos cursos de graduação.

3/36

4/48h

Todos os seres vivos são compostos por células, a menor parte viva desses organismos. Essas estruturas são extremamente complexas e formadas por várias substâncias, que só foram descobertas graças ao avanço na microscopia, sendo que o inglês Robert Hooke (1635-1703) criou o microscópio composto e observou células pela primeira vez. Ao observar finas fatias de cortiça, Hooke viu diversos buraquinhos que lembravam favos de mel. A cada um desses pequenos compartimentos ele deu o nome de célula (pequena cela). Atualmente, as células são estudadas pela Biologia Celular, que avalia sua estrutura, suas funções e sua importância na complexidade dos seres vivos. Para cumprir esses objetivos, a Biologia Celular associa-se a diversos ramos da Biologia, destacando-se, nesta ementa, a Bioquímica, que é responsável pelo estudo das estruturas, da organização e de todos os processos químicos que ocorrem nas células. Diversas substâncias participam da composição de uma única célula e podem ser classificadas em dois tipos básicos: substâncias orgânicas e substâncias inorgânicas. As inorgânicas são aquelas que não possuem carbono em sua composição, enquanto as orgânicas apresentam esse elemento. As substâncias inorgânicas encontradas na célula são a água e os sais minerais. A água é a substância mais abundante em todos os seres vivos e é fundamental para sua sobrevivência, pois é um excelente solvente, além de atuar transportando substâncias e participando de reações químicas. Já os sais minerais possuem as mais variadas funções, tais como condução do impulso nervoso, atuação na coagulação do sangue e transporte de gases associando-se com a hemoglobina, etc. Dentre as substâncias orgânicas, destacam-se as proteínas, lipídios, carboidratos, ácidos nucleicos, entre outras. As proteínas são formadas por aminoácidos — moléculas constituídas por átomos de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio. Elas possuem diversas funções em nosso corpo, como a função estrutural e de transporte, atuação como enzimas e formação dos anticorpos. Os lipídios, conhecidos popularmente como gorduras, são substâncias insolúveis em água e solúveis em solventes orgânicos. Atuam como reserva de energia e isolante térmico, participam de processos metabólicos, formam as membranas celulares e alguns hormônios, protegem órgãos contra impactos, entre outras funções. Os carboidratos, que também recebem a denominação de glicídios ou açúcares, são, sem dúvida, a principal fonte de energia das células, mas também apresentam um importante papel estrutural como construção das paredes celulares. Também estão envolvidos em diversos tipos de sinalização, comunicação e interações celulares. Eles são classificados em monossacarídeos, oligossacarídeos e polissacarídeos. Os ácidos nucleicos são moléculas com extensas cadeias de nucleotídeos, que são estruturas formadas por uma base nitrogenada (purina ou pirimidina), um monossacarídeo com cinco átomos de carbono (ribose ou desoxirribose) e por um grupamento fosfórico (fosfato), que constitui o material genético de todos os seres vivos. Esses compostos químicos podem aparecer de forma isolada, na forma de polímeros, constituindo diversas estruturas celulares ou mesmo combinados entre si, formando estruturas complexas como a membrana plasmática. Esta é componente presente em todas as células, tanto eucariontes quanto procariontes. Esta estrutura separa o interior das células do meio externo. Possui inúmeras funções tais como: Compartimentalização; Suporte para atividades bioquímicas; Barreira de permeabilidade seletiva; Transporte de solutos; Resposta a sinais externos; Interação intercelular; e Transdução de energia; Cada tipo de membrana celular pode apresentar componentes que se diferenciam conforme a função da estrutura na qual ela esta presente. Mas, de maneira geral, pode-se definir as membranas como conjuntos de proteínas -lipídeos mantidos juntos por ligações não covalentes (interações hidrofóbicas e forças de van der Waals).